quinta-feira, 24 de março de 2011

Faces da Sociedade

Da Idade Média até os dias atuais muitas revoluções aconteceram e, sem dúvida, a Revolução Tecnológica é a que caminha de forma mais rápida, que faz com que a humanidade fique aturdida. Pare para observar as pessoas por alguns instantes. Está no ar a sensação de que estamos sempre correndo atrás de algo importante, que precisamos de mais tempo, mais dinheiro, mais informação. Estamos numa sociedade insaciável que está sofrendo na pele as conseqüências desse sobrepeso. Essa insatisfação perene faz com que sejamos intrusos em nosso próprio corpo. Dá para contar nos dedos de uma mão com quantas pessoas equilibradas e satisfeitas convivemos. O normal é ter alguma neurose, problemas insolúveis que carregamos como troféus por toda a vida. As ricas experiências humanas são substituídas pela convivência com animais que mais parecem bibelôs, vivendo higienicamente com sapatinhos em apartamentos decorados com a última tendência de design. Os animais não criticam, não contestam nem pedem nada em troca. Aquela pessoa que atravessou seu caminho hoje, que precisava apenas de uma palavra de apoio para sair de uma crise, foi apenas um obstáculo no trajeto – facilmente ultrapassado. O animalzinho recebeu toda a sua atenção e mais um bifinho. À pessoa, apenas o desprezo. Face cruel dessa sociedade pós-moderna.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Presença da ausência

Apenas sentir... em vão combater o sentimento que teima em aparecer e a razão não é eficiente para suprimir. A saudade é assim. Presença da ausência. Invade nosso sentir sempre que qualquer coisa dispara a lembrança. Música, lugar, cheiro ou apenas uma frase se faz o bastante para nos arremessar a esse terreno árido - deserto da alma. O tempo vem,carrega as areias e forma dunas imensas onde é possível brincar. Um oásis surge para que a sede seja saciada. Mas, ainda é o deserto. Tornar-se beduíno não é questão de livre escolha. Quem, em sã consciência, optaria por sofrer de saudade? Somos escolhidos. Como numa tribo nômade do deserto, castigados pelo sol escaldante, tempestades de areia, com a pele marcada para sempre. Aí, vem o tempo, misericordioso, e, num dia, manda um camelo para tornar a travessia menos dolorosa. Se for uma pessoa de sorte, encontrará pelo caminho um cantil - para saciar a sede nas horas mais difíceis.
Agora, uma recomendação : o ítem fundamental para não se perder nessas areias infinitas, profundas e doloridas é a boa e velha bússola. Mas não se engane. Eu, sinceramente, apesar da condição de beduína que sou há longos e arrastados anos, ainda não aprendi a usar a minha...