terça-feira, 19 de outubro de 2010

História Feminina II

A Era da Sensibilidade significa o que o Iluminismo foi para sua época. Hoje a humanidade precisa eleger o Ser antes de qualquer outro verbo, enxergar pela ótica do belo, do bom e do bem. Quanto as mulheres, durante séculos ficamos no obscurantismo, sempre estivemos em casa enquanto os homens foram para as Guerras (desde o paleolítico) e o fato de partirmos para a II Guerra estava inserido no contexto inicial da Revolução Feminista, além de agregar mão de obra competente para as tarefas de enfermagem e outras mais leves.
O conhecimento feminino a que me refiro é aquele iniciado por nossas ancestrais, o cuidado com o ser, o instinto de conservação, a sensibilidade de ouvir, compreender, instigar o crescimento, cobrar responsabilidade e saber esperar. Sabedoria necessária nesses tempos de ansiedade.
Muitas mulheres do século passado mostraram grande talento em diversas áreas, música, filosofia, arte, dança, moda, negócios, ciência e, com certeza, continuaremos neste trajeto. O meu questionamento refere-se aos séculos anteriores a Era Contemporânea, por quê demoramos tanto tempo para demonstrarmos toda nossa capacidade criativa?
Quanto aos dias de hoje, acredito que muitas mulheres estão perdendo o foco por entenderem que devem recuperar o tempo perdido, agarrar todas as oportunidades de uma vez e lutar como se estivessem num campo de batalha. Isso não faz parte de nossa natureza. Duvido daquelas que dizem conseguir manter uma super carreira, maternidade, relacionamento, família... alguém nessa equação vai sair perdendo. Por isso devemos olhar para nós mesmas e elegermos o que é mais importante para o nosso momento particular. Não há necessidade de abraçar o mundo, vamos caminhar com tranquilidade respeitando a nossa natureza, nossos hormônios, com delicadeza e perseverança.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

História Feminina

Convido vocês a embarcar em uma viagem épica pela nossa história. Viver, por alguns instantes, a vida de nossas antepassadas. Fechar os olhos, sentir suas alegrias, vitórias, tristezas e frustrações.
Voltaremos aos primórdios da humanidade. Era paleolítica, 20.0000 A.C. Com o desenvolvimento da mente e a acumulação de experiências e conhecimentos, a humanidade foi aperfeiçoando seus instrumentos, utensílios domésticos e armas, suas técnicas e meios de subsistência. A vida em sociedade, atitudes, hábitos, vida familiar, tudo isso, passou a ser atribuição feminina - visto que aos homens era dada a árdua tarefa de caçar e obter da natureza o mínimo essencial para a subsistência do clã. Neste período iniciaram-se as cerimônias religiosas, a arte foi aperfeiçoada, bem como o artesanato. Nossos ancestrais passaram a construir casas e abrigos, a fazer agasalhos, descobriram o fogo e inventaram os meios de comunicação e transporte. Homens e mulheres trabalhando juntos, em prol do desenvolvimento das potencialidades humanas.
Na Idade Antiga, com o surgimento das grandes civilizações, a humanidade passou a ter dois grupos bastante definidos - os servidos e os serviçais. No grupo dos servidos, homens que desenvolviam o intelecto, a política e a ciência. Também os que lideravam exércitos tinham muitas lutas a vencer, territórios a conquistar. Já não tinham que trazer a caça para casa. Os homens serviçais eram incumbidos dessa tarefa menos enobrecedora.
Quanto a nós, se fôssemos mulheres servidas, teríamos que nos preocupar com o perfume de nosso banho, nossos cabelos, a roupa que usaríamos quando o grande guerreiro chegasse, a saúde de nossos filhos. As serviçais, deveriam cuidar de toda a manutenção de uma residência imensa, alimentação, limpeza e tudo o mais.
Na Idade Média, naquele período mais obscuro da história, onde tudo era passível de julgamento e pessoas eram queimadas por mero capricho, essa dualidade (servidos e serviçais) passa a ser mais cruel. Os homens servidos continuaram seu caminho, desenvolveram seus propósitos, erraram em muitas coisas mas também acertaram em muitas outras. Os serviçais idem.
Quanto a nós, mulheres medievais servidas, tenho a nítida impressão de que perdemos o bonde da história. Ficamos relegadas aos rituais insanos de beleza, onde espartilhos nos faziam perder o fôlego e aquele ar de poliana anêmica era quesito número um para ter um casamento vantajoso. Tanto tempo ocioso nossas antepassadas tiveram e não há menção de nenhuma grande pintora, filósofa, pensadora, cozinheira (que seja) dessa época tão obscura de nosso passado. Será que só sabiamos fazer bruxaria? Ah, também participávamos das grandes orgias que ocorriam nos belos salões dos castelos.
Às mulheres medievais serviçais não sobrava nada de muito diferente da época antiga. Apenas mais pestes, mais filhos, mais obrigações...
Com a Idade Moderna e o advento da Era Industrial nos aproximamos mais do mundo masculino, subjulgadas pela força e pelo grande abismo intelectual evoluído durante toda essa trajetória. Analfabetas e sem alternativas, fomos para as indústrias mover as máquinas para o desenvolvimento do capitalismo tal como o conhecemos hoje.
Com o passar do tempo e com o acesso a alfabetização, passamos a tomar consciência de nosso valor e da importância de nossa condição feminina. Não podemos esquecer que toda a História foi contada por homens e nela não havia espaço para divulgar as conquistas femininas - mesmo porque não haveria leitores interessados...
Também não considero correta a postura de submissão que dominou o nosso universo até o século passado e que ainda está presente em alguns lugares de nosso Planeta. Pois, se somos nós quem educamos esses "meninos" como podemos deixar perpetuar esse tipo de comportamento? Mais um assunto para ser analisado.
Enfim, apesar de tudo, acredito que passamos por todas essas eras históricas e tudo foi necessário para nos prepararmos para o que chamo de Era da Sensibilidade. Não citei igualdade pois não se trata de nos equipararmos a condição masculina, nunca seremos iguais à eles. Considero isso um erro da parte de muitas mulheres. Temos natureza diversa, funcionamos de maneira diferente, atuamos nos bastidores da História e sabemos de coisas que somente a natureza feminina é capaz de conhecer. É tempo de olharmos para nós, deixarmos de lado toda essa submissão, comparação e competitividade. Construir essa ponte que ficou suspensa na História da Humanidade e fazer agora a nossa parte para a efetiva evolução de nossa espécie.