quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Presença da ausência

Apenas sentir... em vão combater o sentimento que teima em aparecer e a razão não é eficiente para suprimir. A saudade é assim. Presença da ausência. Invade nosso sentir sempre que qualquer coisa dispara a lembrança. Música, lugar, cheiro ou apenas uma frase se faz o bastante para nos arremessar a esse terreno árido - deserto da alma. O tempo vem,carrega as areias e forma dunas imensas onde é possível brincar. Um oásis surge para que a sede seja saciada. Mas, ainda é o deserto. Tornar-se beduíno não é questão de livre escolha. Quem, em sã consciência, optaria por sofrer de saudade? Somos escolhidos. Como numa tribo nômade do deserto, castigados pelo sol escaldante, tempestades de areia, com a pele marcada para sempre. Aí, vem o tempo, misericordioso, e, num dia, manda um camelo para tornar a travessia menos dolorosa. Se for uma pessoa de sorte, encontrará pelo caminho um cantil - para saciar a sede nas horas mais difíceis.
Agora, uma recomendação : o ítem fundamental para não se perder nessas areias infinitas, profundas e doloridas é a boa e velha bússola. Mas não se engane. Eu, sinceramente, apesar da condição de beduína que sou há longos e arrastados anos, ainda não aprendi a usar a minha...