Convido vocês a embarcar em uma viagem épica pela nossa história. Viver, por alguns instantes, a vida de nossas antepassadas. Fechar os olhos, sentir suas alegrias, vitórias, tristezas e frustrações.
Voltaremos aos primórdios da humanidade. Era paleolítica, 20.0000 A.C. Com o desenvolvimento da mente e a acumulação de experiências e conhecimentos, a humanidade foi aperfeiçoando seus instrumentos, utensílios domésticos e armas, suas técnicas e meios de subsistência. A vida em sociedade, atitudes, hábitos, vida familiar, tudo isso, passou a ser atribuição feminina - visto que aos homens era dada a árdua tarefa de caçar e obter da natureza o mínimo essencial para a subsistência do clã. Neste período iniciaram-se as cerimônias religiosas, a arte foi aperfeiçoada, bem como o artesanato. Nossos ancestrais passaram a construir casas e abrigos, a fazer agasalhos, descobriram o fogo e inventaram os meios de comunicação e transporte. Homens e mulheres trabalhando juntos, em prol do desenvolvimento das potencialidades humanas.
Na Idade Antiga, com o surgimento das grandes civilizações, a humanidade passou a ter dois grupos bastante definidos - os servidos e os serviçais. No grupo dos servidos, homens que desenvolviam o intelecto, a política e a ciência. Também os que lideravam exércitos tinham muitas lutas a vencer, territórios a conquistar. Já não tinham que trazer a caça para casa. Os homens serviçais eram incumbidos dessa tarefa menos enobrecedora.
Quanto a nós, se fôssemos mulheres servidas, teríamos que nos preocupar com o perfume de nosso banho, nossos cabelos, a roupa que usaríamos quando o grande guerreiro chegasse, a saúde de nossos filhos. As serviçais, deveriam cuidar de toda a manutenção de uma residência imensa, alimentação, limpeza e tudo o mais.
Na Idade Média, naquele período mais obscuro da história, onde tudo era passível de julgamento e pessoas eram queimadas por mero capricho, essa dualidade (servidos e serviçais) passa a ser mais cruel. Os homens servidos continuaram seu caminho, desenvolveram seus propósitos, erraram em muitas coisas mas também acertaram em muitas outras. Os serviçais idem.
Quanto a nós, mulheres medievais servidas, tenho a nítida impressão de que perdemos o bonde da história. Ficamos relegadas aos rituais insanos de beleza, onde espartilhos nos faziam perder o fôlego e aquele ar de poliana anêmica era quesito número um para ter um casamento vantajoso. Tanto tempo ocioso nossas antepassadas tiveram e não há menção de nenhuma grande pintora, filósofa, pensadora, cozinheira (que seja) dessa época tão obscura de nosso passado. Será que só sabiamos fazer bruxaria? Ah, também participávamos das grandes orgias que ocorriam nos belos salões dos castelos.
Às mulheres medievais serviçais não sobrava nada de muito diferente da época antiga. Apenas mais pestes, mais filhos, mais obrigações...
Com a Idade Moderna e o advento da Era Industrial nos aproximamos mais do mundo masculino, subjulgadas pela força e pelo grande abismo intelectual evoluído durante toda essa trajetória. Analfabetas e sem alternativas, fomos para as indústrias mover as máquinas para o desenvolvimento do capitalismo tal como o conhecemos hoje.
Com o passar do tempo e com o acesso a alfabetização, passamos a tomar consciência de nosso valor e da importância de nossa condição feminina. Não podemos esquecer que toda a História foi contada por homens e nela não havia espaço para divulgar as conquistas femininas - mesmo porque não haveria leitores interessados...
Também não considero correta a postura de submissão que dominou o nosso universo até o século passado e que ainda está presente em alguns lugares de nosso Planeta. Pois, se somos nós quem educamos esses "meninos" como podemos deixar perpetuar esse tipo de comportamento? Mais um assunto para ser analisado.
Enfim, apesar de tudo, acredito que passamos por todas essas eras históricas e tudo foi necessário para nos prepararmos para o que chamo de Era da Sensibilidade. Não citei igualdade pois não se trata de nos equipararmos a condição masculina, nunca seremos iguais à eles. Considero isso um erro da parte de muitas mulheres. Temos natureza diversa, funcionamos de maneira diferente, atuamos nos bastidores da História e sabemos de coisas que somente a natureza feminina é capaz de conhecer. É tempo de olharmos para nós, deixarmos de lado toda essa submissão, comparação e competitividade. Construir essa ponte que ficou suspensa na História da Humanidade e fazer agora a nossa parte para a efetiva evolução de nossa espécie.
Thelma!!! Estava me atualizando...tanto tempo sem ler seu blog. Ler seu Blog é um alimento para minha alma!!! Obrigada por vc existir! Grande alma!
ResponderExcluirSuper beijo,
DAmiana