segunda-feira, 18 de outubro de 2010

História Feminina

Convido vocês a embarcar em uma viagem épica pela nossa história. Viver, por alguns instantes, a vida de nossas antepassadas. Fechar os olhos, sentir suas alegrias, vitórias, tristezas e frustrações.
Voltaremos aos primórdios da humanidade. Era paleolítica, 20.0000 A.C. Com o desenvolvimento da mente e a acumulação de experiências e conhecimentos, a humanidade foi aperfeiçoando seus instrumentos, utensílios domésticos e armas, suas técnicas e meios de subsistência. A vida em sociedade, atitudes, hábitos, vida familiar, tudo isso, passou a ser atribuição feminina - visto que aos homens era dada a árdua tarefa de caçar e obter da natureza o mínimo essencial para a subsistência do clã. Neste período iniciaram-se as cerimônias religiosas, a arte foi aperfeiçoada, bem como o artesanato. Nossos ancestrais passaram a construir casas e abrigos, a fazer agasalhos, descobriram o fogo e inventaram os meios de comunicação e transporte. Homens e mulheres trabalhando juntos, em prol do desenvolvimento das potencialidades humanas.
Na Idade Antiga, com o surgimento das grandes civilizações, a humanidade passou a ter dois grupos bastante definidos - os servidos e os serviçais. No grupo dos servidos, homens que desenvolviam o intelecto, a política e a ciência. Também os que lideravam exércitos tinham muitas lutas a vencer, territórios a conquistar. Já não tinham que trazer a caça para casa. Os homens serviçais eram incumbidos dessa tarefa menos enobrecedora.
Quanto a nós, se fôssemos mulheres servidas, teríamos que nos preocupar com o perfume de nosso banho, nossos cabelos, a roupa que usaríamos quando o grande guerreiro chegasse, a saúde de nossos filhos. As serviçais, deveriam cuidar de toda a manutenção de uma residência imensa, alimentação, limpeza e tudo o mais.
Na Idade Média, naquele período mais obscuro da história, onde tudo era passível de julgamento e pessoas eram queimadas por mero capricho, essa dualidade (servidos e serviçais) passa a ser mais cruel. Os homens servidos continuaram seu caminho, desenvolveram seus propósitos, erraram em muitas coisas mas também acertaram em muitas outras. Os serviçais idem.
Quanto a nós, mulheres medievais servidas, tenho a nítida impressão de que perdemos o bonde da história. Ficamos relegadas aos rituais insanos de beleza, onde espartilhos nos faziam perder o fôlego e aquele ar de poliana anêmica era quesito número um para ter um casamento vantajoso. Tanto tempo ocioso nossas antepassadas tiveram e não há menção de nenhuma grande pintora, filósofa, pensadora, cozinheira (que seja) dessa época tão obscura de nosso passado. Será que só sabiamos fazer bruxaria? Ah, também participávamos das grandes orgias que ocorriam nos belos salões dos castelos.
Às mulheres medievais serviçais não sobrava nada de muito diferente da época antiga. Apenas mais pestes, mais filhos, mais obrigações...
Com a Idade Moderna e o advento da Era Industrial nos aproximamos mais do mundo masculino, subjulgadas pela força e pelo grande abismo intelectual evoluído durante toda essa trajetória. Analfabetas e sem alternativas, fomos para as indústrias mover as máquinas para o desenvolvimento do capitalismo tal como o conhecemos hoje.
Com o passar do tempo e com o acesso a alfabetização, passamos a tomar consciência de nosso valor e da importância de nossa condição feminina. Não podemos esquecer que toda a História foi contada por homens e nela não havia espaço para divulgar as conquistas femininas - mesmo porque não haveria leitores interessados...
Também não considero correta a postura de submissão que dominou o nosso universo até o século passado e que ainda está presente em alguns lugares de nosso Planeta. Pois, se somos nós quem educamos esses "meninos" como podemos deixar perpetuar esse tipo de comportamento? Mais um assunto para ser analisado.
Enfim, apesar de tudo, acredito que passamos por todas essas eras históricas e tudo foi necessário para nos prepararmos para o que chamo de Era da Sensibilidade. Não citei igualdade pois não se trata de nos equipararmos a condição masculina, nunca seremos iguais à eles. Considero isso um erro da parte de muitas mulheres. Temos natureza diversa, funcionamos de maneira diferente, atuamos nos bastidores da História e sabemos de coisas que somente a natureza feminina é capaz de conhecer. É tempo de olharmos para nós, deixarmos de lado toda essa submissão, comparação e competitividade. Construir essa ponte que ficou suspensa na História da Humanidade e fazer agora a nossa parte para a efetiva evolução de nossa espécie.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

A necessidade de exercitar o cérebro

Neuróbica - o nome da moda para a aeróbica dos neurônios. Coisa que há milênios nossos ancestrais fizeram com maestria e até hoje paramos para pensar nessas frases que sintetizam verdades da alma. Abrem horizontes necessários para a evolução da espécie humana, onde a razão um dia reinará dominante sobre a animalidade. Leia, reflita, concorde ou discorde. O importante é a mecânica do exercício. Viva melhor com a sua própria companhia - enriqueça seu universo íntimo e seja um bom inquilino de si mesmo. Deguste...

Você pode descobrir mais sobre uma pessoa em uma hora de brincadeira do que em um ano de conversa.

Não espere por uma crise para descobrir o que é importante em sua vida.

Vencer a si próprio é a maior das vitórias.


Platão


Não há nada na nossa inteligência que não tenha passado pelos sentidos.

A felicidade e a saúde são incompatíveis com a ociosidade.

O verdadeiro discípulo é aquele que supera o mestre.

O ignorante afirma, o sábio duvida, o sensato reflete.

O segredo do sucesso é saber algo que ninguém mais sabe


Aristóteles

terça-feira, 27 de julho de 2010

Gosto muito de gente assim...

Gosto de gente com a cabeça no lugar, de conteúdo interno, idealismo nos olhos e dois pés no chão da realidade.
Gente que ri, chora, se emociona com um simples e-mail, um telefonema, uma canção suave, um bom filme, um bom livro, um gesto de carinho, um abraço.
Gente que ama e curte saudade, gosta de amigos, cultiva flores, ama os animais. Admira paisagens, poeira e chuva.
Gente que tem tempo para sorrir bondade, semear perdão, repartir ternuras, compartilhar vivências e dar espaço para as emoções dentro de si.
Gente que gosta de fazer as coisas que gosta, sem fugir de compromissos difíceis e inadiáveis, por mais desgastantes que sejam. Gente de coragem...
Gente que colhe, orienta, se entende, aconselha, busca a verdade e quer sempre aprender, mesmo que seja de uma criança, de um pobre, de um analfabeto.
Gente de coração desarmado, sem ódio, nem preconceitos baratos. Com muito amor dentro de si.
Gente que erra e reconhece, cai e se levanta, apanha e assimila os golpes, tirando lições dos erros e fazendo redentoras suas lágrimas e sofrimentos.

Obs: escrito por Arthur da Távola - mas eu queria tanto que fosse meu...

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Intensa... Mãe

A vida é uma presente que Deus criou e fez de nós, mulheres, co-criadoras de sua obra.

Filhos são nossos durante os meses em que estão sendo gerados. Quando aqui fora, pais, avós, tios, amigos e demais pessoas tomam sua parte na vida da criança, que recebe todo esse carinho mas que tem a mãe como porto seguro, em todos os momentos.

Aprender com nossos erros, sabendo que estamos sempre fazendo o nosso melhor. Sem fórmula, visto que cada ser é único...

Saber lidar com emoções contraditórias. Querer que o filho cresça e guardar na memória a primeira vez que viu sua carinha. Ser firme, educar, criar para o mundo e, lá no fundo, ter a esperança de que ele sempre volte para casa.

É um amor que ultrapassa a barreira da compreensão, que faz com que possamos identificar o choro de nossos filhos mesmo que eles estejam no meio da multidão. Que faz com que passemos noites em claro, horas em pé, dias em busca de respostas que muitas vezes não vem... Podemos estar destruídas por dentro, mas somos desarmadas quando olhamos para aquela carinha, que, do nada, nos manda o sorriso mais iluminado do mundo!

Passamos a entender nossas mães quando nossos filhos nascem. Saber o quanto é difícil e ao mesmo tempo maravilhoso ter um ser que é nossa continuidade, saber da responsabilidade que temos em deixar para o mundo seres humanos melhores, bem resolvidos, felizes e que multipliquem todo esse amor que, para nós que somos mães, flui de maneira tão intensa e contínua...

Para Luccas e Giovanna

quarta-feira, 14 de abril de 2010

MODA

Impressionante como a moda vem de maneira cíclica e as tendências atemporais permanecem como um porto seguro para quem tem receiro de ousar nas produções, cotidianas, rotineiras. Afinal, o que seria das produções se não fosse a abençoada rotina?
Estilo militar, retrô, vintage, anos 80, o que der na sua cabeça na hora que abrir o guarda roupa... muito mais do que apenas um estilo a ser mostrado, a sua personalidade NAQUELE DIA, seu grito de liberdade, sua tribo, sua opinião, sua sensibilidade... para quem quiser observar e comentar - ou não, fica a critério de cada um.
Como hoje somos pessoas contemporâneas, devemos ser antenadas, saber das tendências de moda (ou não - também é um posicionamento) ou seja, ser você mesma, com suas limitações, sensibilidades, vergonhas, medos, intimidades e gostos. O que não se discute.
Moda, a meu ver, é o que agrada a um número objetivamente considerável de pessoas. O gosto permanece pessoal e intransferível. Permaneço com o meu. Abominando os anos 80, gostando do nude com assessórios, cores com parcimônia, estampas com bom senso, manufaturados com o mesmo critério. O clássico permanece imutável - um bom tailler, camisa branca, jeans bem cortado, rasteirinhas e saltos confortáveis, acessórios condizentes com a produção - ou seja - TUDO CONFORTÁVEL E PERTINENTE AO SEU ESTADO DE ESPÍRITO. Acredito que este seja o verdadeiro espírito da moda. Sem maiores considerações ou conjecturas. Assuntos demais, opiniões demais - permaneça com sua opinião pois é VOCÊ quem estará vestindo aquela roupa incrível naquela festa inesquecível que para vc faz todo o sentido...

quarta-feira, 31 de março de 2010

Luta Silenciosa

Para medir a força de uma mulher
Se faz necessário pensar em tudo o que suportamos
Voltar ao tempo de nossas ancestrais
Para, quem sabe, buscar a compreensão...

Torcer por um filho de maneira silenciosa
Ser criticada sem contestar, digerir e sorrir
Inventar novos meios para lidar com o trivial
Alimentar o que há de melhor em nosso íntimo.

Ler, acreditar, transformar, abstrair, equacionar
Selecionar, gerar, cuidar, acalentar
Reconhecer, apreciar, degustar, amar e mudar
Verbos que integram nossas vidas

Admiradora que sou da condição feminina
Por séculos e décadas inferiorizada
Mas tão atuante nos bastidores da vida
Luta, silenciosa, pois a tua vitória virá com o tempo.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Bom senso

O que é bom senso? Qual o significado destas palavras que, juntas, adquirem dimensão tão profunda? Peço socorro aos estudiosos da língua e me deparo com o seguinte:
Bom - ...de agradável qualidade; conforme à justiça, à virtude, ao dever.
Senso - ...faculdade de julgar, de raciocinar; entendimento. Siso, juízo, tino.

Portanto, refiro-me a "agradável qualidade de raciocinar" que anda tão em desuso atualmente. Temos o dever de exercitar nossa faculdade, julgar cada nova situação e reagir conforme o juízo particular que cada um carrega em sí. Aí é que está a grande dificuldade, é onde surgem os desentendimentos pois cada ser humano possui um entendimento muuuito singular do que é na verdade o bendito bom senso. Há que se diferenciar o bom senso da noção de senso comum (modo de pensar da maioria das pessoas) - quem é essa maioria? Quem são essas pessoas que determinam as atitudes coerentes? Duvido das unanimidades, acho um terreno muito perigoso.
Acredito que o bom senso na verdade está em examinar a situação e enxergar que estamos lidando sempre com pessoas, que cada um possui uma visão muito particular sobre relacionamentos, intimidade, humor e que todos, todos mesmo, temos limite. Meu bom senso me diz que não devo levar minha filha de 2 anos à praia, em pleno verão carioca, sol do meio dia, 41 graus à sombra... para os que se deixam levar pelo senso comum, vão achar bobagem, é verão, é carnaval, não seja tão radical... pois é. Meu juizo ás vezes é meu carrasco.
Quando saímos dessa zona de conforto do senso comum podemos ser chamados de anti-sociais, rabugentos, antipáticos - fica difícil conversar assuntos que não levam à nada, participar de competições verbais sobre quanto custou o sofá novo, relembrar situações de aflição e sofrimento só pelo prazer mórbido de ver os ouvintes reviverem sentimentos negativos... meu bom senso, que aliás é muito sensível, não permite que eu participe desta descarga emocional. Vou à procura de assuntos mais interessantes, mesmo que para isso eu tenha que escapar para dentro de mim...